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Carroças
"Jamais creia que os animais sofrem menos do que os humanos. A dor é a mesma para eles e para nós. Talvez pior, pois eles não podem ajudar a si mesmos." - Dr. Louis J. Camuti
O que é:
Exploração de equinos por meio da doma e domesticação, e trabalho forçado atrelados a carroças e charretes para puxar peso por longos trajetos.
O que ocorre:
Em muitas cidades é comum ver cavalos maltratados, mal nutridos e explorados, puxando pesadas carroças, muitas vezes carregadas de resíduos provenientes de nosso estilo de vida perdulário.
Ao lado dessas humildes carroças passam intermináveis filas de automóveis - veículos metálicos e brilhantes, dotados de uma força equivalente a dezenas, ou centenas, de cavalos ou HPs (horse power) - enfim, máquinas insensíveis que desconhecem o cansaço e as rotinas enfadonhas.
Essa imagem contrastante pode ser violenta para olhos sensíveis, ou corriqueira, para aqueles que estão anestesiados e intoxicados pelas falsas "verdades" de nossa cultura massificada. Nem sempre a técnica veio para libertar ou diminuir o sofrimento dos animais ou dos seres humanos, os "auto-móveis" (o que significa "auto-móvel": algo que anda, ou se move, por si próprio?) que se cansam, sofrem e sentem. (Paula Brügger, cavalos: vida e morte repletas de sofrimento).
É difícil resgatá-los das ruas. Sempre sozinhos vagando em estradas, com sintomas de desidratação, desnutrição, anemia e maus-tratos, são totalmente esquecidos ou ignorados. Esses animais sofrem muito. E da pior forma, que é sofrer no desamparo.
O cavalo tem saúde frágil. Pode vir a óbito por tosse (garrotilho) ou cólicas abdominais (dor de barriga). Sinais de doença podem ser detectados pelos sintomas – apatia, embotamento dos olhos, pelagem sem vida, corrimento nasal. Observe se tem feridas, nódulos, arranhões, parasitas, ou temperatura basal elevada (febre).
Cavalos possuem o limiar de dor mais baixo que o do humano. Ou seja, sentem mais dor do que nós, mas não podem gritar e pedir socorro...
Alguns cavalos trabalham com uma pata (mal) ferrada e a outra não.
Cavalos são animais de manutenção cara (alimentação, estábulo, assistência veterinária, remédios, vacinas, vermífugos, higiene, ferraduras, etc.). Carroceiros não têm condições de mantê-los adequadamente. Portanto, qualquer cavalo, de qualquer carroceiro, vive de maneira precária.
Existem ainda outras doenças como a rinopneumonite eqüina, o mormo e a brucelose. Como os carroceiros percorrem grandes distâncias pela cidade, podem ainda transmitir doenças inerentes ao cavalo. Nesse aspecto, destaca-se a anemia infecciosa, doença similar a AIDS humana, que causa uma imunodeficiência, cujo tratamento é ineficaz e o sacrifício obrigatório por ser facilmente transmitida a outros animais, seja via vetor (moscas picadoras) ou via instrumentos com sangue.
Em algumas cidades é contra a lei ter carroça no perímetro urbano. Mas não há fiscalização. Poucos sabem da lei para denunciar. E os carroceiros a infringem normalmente. São inúmeros (e bárbaros) os casos de violências e assassinato de eqüinos pelos próprios tutores.
Quando sofrem fraturas (pelas condições de trabalho a que são submetidos), pneumonia (por serem amarrados e deixados sob forte sol e chuva), bicheira (pelos ferimentos dos arreios e chicotadas não tratados), etc., não recebem cuidados veterinários. Adquirem horríveis anomalias na coluna vertebral, devido à violência contra seus limites do corpo: peso na carroça, peso no lombo, horas de trabalho, instalações para dormir e descansar, alimentação...
Não recebem alimentação adequada. Costumam ser deixados em lixões para procurarem algo que comer por lá. Correm riscos de ingerir lixo contaminado e plástico, se machucar com vidros e agulhas, etc.
Quando desfalecem de dor e fraqueza do meio da rua, são abandonados por lá. Outros são vendidos para abatedouros clandestinos quando não se mostram mais úteis.
Soluções:
- Olhe de frente nos olhos daqueles animais e veja a falta de brilho em cada olhar, o olhar perdido de cada um, oriundo da escravidão e falta de respeito do ser humano para com outras espécies.
- Denuncie carroças, faça contato com controle urbano de sua cidade, chame a Polícia Militar para fazer um boletim de ocorrência de crime ambiental. Lei Ambiental 9605/98 art32;
- Leilão de animais resgatados não é o ideal. Eles são leiloados e voltam a ser vendidos e/ou alugados para trabalharem novamente atrelados em carroças. As ONGS e Santuários deveriam assumir esses cavalos, como medida paliativa, recebendo ajuda do Estado.
- Mande e-mails para gabinetes de políticos exigindo leis proibitivas, e projetos de alternativas aos carroceiros.
- Reprima, alerte, conscientize. Reproduza e distribua essas informações.
- Não perca a chance de dar água fresca e legumes a um cavalo;
Leis:
Lei nº 11.478 de 1994 e Lei nº 11.887 de 21/set/1995 - promovida por Celina Valentino -que proíbe o emprego de veículos de tração animal, de carga ou montados no Município de São Paulo. Ambas são baseadas no Decreto Federal nº 24.645.
Sociedade, carroceiros e animais
Não dá mais para fingirmos que as inúmeras carroças existentes na cidade nada significam. Carroceiros excedem-se em abusos e infrações. Muitos são mestres em atrocidades para com os animais, impondo-lhes um calvário de dores e privações de direitos.
Considerando-se as exceções, os bichos trabalham o dia todo sob pressão e chibatadas, sem comer, beber ou descansar, e, não raras vezes, são alugados para trabalharem também no período noturno. Os apetrechos - que os prendem covardemente à carroça - causam-lhes ferimentos e desconforto, além de ficarem expostos às intempéries, como sol forte ou chuva e frio. Alijados de suas condições naturais de vida, à noite, solitários, são presos em cubículos ou amarrados em arbustos, quando não saem a vagar procurando por comida. Cavalos doentes, éguas prenhes e burricos vêm da periferia, de lugares longínquos, e percorrem dezenas de quilômetros todos os dias. São agredidos, tratados com despreparo e negligência. Resultando: animais apáticos, tristes, desnutridos e subjugados. Deles tudo é tirado, desde a cria até a liberdade.
E os carroceiros? Estão no limite da pobreza, moram em buracos, vivem à margem da sociedade, em condições insalubres e aviltantes, têm um histórico de despreparo educacional, de doenças, de violência. Agredidos por um desumano sistema econômico, esses excluídos brutalizam também a família, além dos animais. Só demagogos, oportunistas ou omissos podem defender uma profissão que não eleva a pessoa à condição de cidadão. Carroças na rua evidenciam o nosso fracasso social. Conhecemos indivíduos, e seus inúmeros filhos, que são carroceiros há décadas e continuam vivendo na mesma situação de subemprego e miséria. Como podem, então, se mal têm para si, cuidar de um animal de grande porte? Como é que fica a situação desse ser que é tutelado pelo Estado e tem direitos garantidos por lei? Então o bicho, que nenhum mal cometeu, tem que trabalhar para nós como escravo e arcar com o ônus da nossa desequilibrada e injusta organização social. Os animais, ao contrário do que se apregoa, não nasceram para nos servir, cada espécie tem sua própria e inerente razão de ser,e já está mais do que na hora da superação desse cômodo e imoral especismo, termo usado por Peter Singer e outros filósofos e juristas contemporâneos para se referirem ao preconceito contra os seres não-humanos.
Ainda infringem o Estatuto da Criança e do Adolescente e as leis de trânsito ao colocarem menores trabalhando, conduzindo carroças pela cidade. A omissão dos poderes e órgãos responsáveis só serve para dar respaldo a ilegalidade e maus tratos. Ser indiferente e cruel para com os animais acostuma o nosso olhar e resvala na indiferença e crueldade para com os homens. A exploração não atinge apenas o cavalo usado para tração, mas também o carroceiro (cujo papel está sendo assumido, cada vez mais, por mulheres e crianças), pois dele passam longe os mais elementares direitos trabalhistas. Mais lógico seria cadastrar e organizar esses catadores informais em associações ou cooperativas, em usinas de processamento de lixo, com veículos motorizados, remuneração, direitos assegurados e formação educacional profissionalizante. Enfim, eliminar, limitar ou regulamentar atividades que atentem contra a dignidade dos homens e das outras espécies é uma conduta generosa e dever de sociedades ditas civilizadas.
As autoras, Sônia Marques Joaquim e Vânia Rall Daró, são, respectivamente, professora aposentada da Unesp-Bauru e advogada e tradutora pública.
Informações Úteis:
- Conheça o trabalho em prol dos cavalos:
Ons Chicote Nunca Mais http://www.chicotenuncamais.org/
Santuário das Fadas http://santuariodasfadas.org/
- Telefones:
DEMA (21)
Ministério Público (21)
Comlurb (21) 3890-4977 (recolhe entulhos gratuitamente (galhos, tijolos, etc). É só ligar e solicitar o serviço dando o endereço.
Assista:
Vida de Cavalo - Instituto Nina Rosa (documentário)
Corcel, Espírito Indomável (animação infantil)
Notícias Relacionadas:
- Motorista morre ao atropelar cavalo na av. Brasil - 20-08/2008
- Leilão: cavalos podem ser retirados - 28/08/2008
Fontes:
http://www.bastaclicar.com.br/noticias/noticia_mostra.asp?id=8613
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=794461&tit=Cavalos-sao-mortos-de-forma-misteriosa
http://carrocastemsolucao.blogspot.com
O que é:Exploração de equinos por meio da doma e domesticação, e trabalho forçado atrelados a carroças e charretes para puxar peso por longos trajetos.
O que ocorre:
Em muitas cidades é comum ver cavalos maltratados, mal nutridos e explorados, puxando pesadas carroças, muitas vezes carregadas de resíduos provenientes de nosso estilo de vida perdulário.
Ao lado dessas humildes carroças passam intermináveis filas de automóveis - veículos metálicos e brilhantes, dotados de uma força equivalente a dezenas, ou centenas, de cavalos ou HPs (horse power) - enfim, máquinas insensíveis que desconhecem o cansaço e as rotinas enfadonhas.
Essa imagem contrastante pode ser violenta para olhos sensíveis, ou corriqueira, para aqueles que estão anestesiados e intoxicados pelas falsas "verdades" de nossa cultura massificada. Nem sempre a técnica veio para libertar ou diminuir o sofrimento dos animais ou dos seres humanos, os "auto-móveis" (o que significa "auto-móvel": algo que anda, ou se move, por si próprio?) que se cansam, sofrem e sentem. (Paula Brügger, cavalos: vida e morte repletas de sofrimento).
É difícil resgatá-los das ruas. Sempre sozinhos vagando em estradas, com sintomas de desidratação, desnutrição, anemia e maus-tratos, são totalmente esquecidos ou ignorados. Esses animais sofrem muito. E da pior forma, que é sofrer no desamparo.

O cavalo tem saúde frágil. Pode vir a óbito por tosse (garrotilho) ou cólicas abdominais (dor de barriga). Sinais de doença podem ser detectados pelos sintomas – apatia, embotamento dos olhos, pelagem sem vida, corrimento nasal. Observe se tem feridas, nódulos, arranhões, parasitas, ou temperatura basal elevada (febre).

Cavalos possuem o limiar de dor mais baixo que o do humano. Ou seja, sentem mais dor do que nós, mas não podem gritar e pedir socorro...
Alguns cavalos trabalham com uma pata (mal) ferrada e a outra não.


Égua abandonada para morrer, após ser usada até exaustão total.
Quanto às necessidades naturais da espécie, lhes é privado o principal para manter a saúde física e mental: Andar e pastar livremente na companhia de outros cavalos. Eles precisavam pastar durante o dia todo, pois precisam de grande quantidade diária de nutrientes. E o grupo representa segurança vital para os seus integrantes. Além de terem espírito livre por natureza, eqüinos e qualquer outro animal não merecem viver atrelados e amarrados.Cavalos são animais de manutenção cara (alimentação, estábulo, assistência veterinária, remédios, vacinas, vermífugos, higiene, ferraduras, etc.). Carroceiros não têm condições de mantê-los adequadamente. Portanto, qualquer cavalo, de qualquer carroceiro, vive de maneira precária.


Morto por exaustão e desnutrição.
Doenças: Sendo o cavalo uma fauna sinantrópica reemergente, é fundamental que se adotem estratégias de prevenção ao aparecimento de zoonoses (doenças transmitidas entre o homem e os animais). Dentre as principais, potencialmente transmitidas pelo cavalo, estão a raiva, a leptospirose, a febre maculosa e a doença de Lyme ou borreliose, estas duas últimas transmitidas pelo carrapato do cavalo.Existem ainda outras doenças como a rinopneumonite eqüina, o mormo e a brucelose. Como os carroceiros percorrem grandes distâncias pela cidade, podem ainda transmitir doenças inerentes ao cavalo. Nesse aspecto, destaca-se a anemia infecciosa, doença similar a AIDS humana, que causa uma imunodeficiência, cujo tratamento é ineficaz e o sacrifício obrigatório por ser facilmente transmitida a outros animais, seja via vetor (moscas picadoras) ou via instrumentos com sangue.

Abandonada para morrer - Ilha de Paquetá - Veja os Trollers ao fundo.
Como são negligenciados por seus tutores, e sequer possuem local adequado para se abrigarem com segurança e conforto durante as noites, além de ficarem ao tempo, no frio e chuva, ficam sujeitos a maus tratos, torturas, envenenamentos e assassinatos na rua.Em algumas cidades é contra a lei ter carroça no perímetro urbano. Mas não há fiscalização. Poucos sabem da lei para denunciar. E os carroceiros a infringem normalmente. São inúmeros (e bárbaros) os casos de violências e assassinato de eqüinos pelos próprios tutores.

Maus tratos do próprio tutor carroceiro.
Quando sofrem fraturas (pelas condições de trabalho a que são submetidos), pneumonia (por serem amarrados e deixados sob forte sol e chuva), bicheira (pelos ferimentos dos arreios e chicotadas não tratados), etc., não recebem cuidados veterinários. Adquirem horríveis anomalias na coluna vertebral, devido à violência contra seus limites do corpo: peso na carroça, peso no lombo, horas de trabalho, instalações para dormir e descansar, alimentação...
Não recebem alimentação adequada. Costumam ser deixados em lixões para procurarem algo que comer por lá. Correm riscos de ingerir lixo contaminado e plástico, se machucar com vidros e agulhas, etc.
Quando desfalecem de dor e fraqueza do meio da rua, são abandonados por lá. Outros são vendidos para abatedouros clandestinos quando não se mostram mais úteis.

Vítima de maus tratos.
Casos:
Outubro de 2008. Égua abandonada pelo carroceiro agonizando numa rua de Queimados.
Ficou nesse estado (doente, semi-morta, exausta...) pela exploração em carroça. Imaginem as dores, desespero e desamparo. O poder público do município de Queimados, ao ser contactado, não fez nada, mesmo que legislativamente todo animal é tutelado do estado! Depois de mais de 10 horas agonizando e sofrendo, a égua faleceu. Mais uma vida que só conseguiu se livrar da escravidão morrendo, não tendo chance de conhecer a paz, felicidade, amparo, respeito e tranquilidade em vida.

Égua resgatada pelo Ministério Público, no sul, após denuncia de maus tratos.
Ela foi desatrelada da carroça e o carroceiro foi para a delegacia.

Não raro, animais com feridas no dorso por causa das amarras, e anomalias dos ossos e articulações, devido a fraturas não tratadas e artrites.
Ficou nesse estado (doente, semi-morta, exausta...) pela exploração em carroça. Imaginem as dores, desespero e desamparo. O poder público do município de Queimados, ao ser contactado, não fez nada, mesmo que legislativamente todo animal é tutelado do estado! Depois de mais de 10 horas agonizando e sofrendo, a égua faleceu. Mais uma vida que só conseguiu se livrar da escravidão morrendo, não tendo chance de conhecer a paz, felicidade, amparo, respeito e tranquilidade em vida.

Égua resgatada pelo Ministério Público, no sul, após denuncia de maus tratos.
Ela foi desatrelada da carroça e o carroceiro foi para a delegacia.

Não raro, animais com feridas no dorso por causa das amarras, e anomalias dos ossos e articulações, devido a fraturas não tratadas e artrites.
Soluções:
- Olhe de frente nos olhos daqueles animais e veja a falta de brilho em cada olhar, o olhar perdido de cada um, oriundo da escravidão e falta de respeito do ser humano para com outras espécies.
- Denuncie carroças, faça contato com controle urbano de sua cidade, chame a Polícia Militar para fazer um boletim de ocorrência de crime ambiental. Lei Ambiental 9605/98 art32;
- Leilão de animais resgatados não é o ideal. Eles são leiloados e voltam a ser vendidos e/ou alugados para trabalharem novamente atrelados em carroças. As ONGS e Santuários deveriam assumir esses cavalos, como medida paliativa, recebendo ajuda do Estado.

Em Foz do Iguaçu, carrinhos elétricos movidos a bateria feitos por técnicos da Itaipu Binacional foram cedidos para catadores de material reciclado que integram cooperativas.
Essa é uma alternativa para o uso de carroça.
- Mande e-mails para gabinetes de políticos exigindo leis proibitivas, e projetos de alternativas aos carroceiros.
- Reprima, alerte, conscientize. Reproduza e distribua essas informações.
- Não perca a chance de dar água fresca e legumes a um cavalo;
Leis:
Lei nº 11.478 de 1994 e Lei nº 11.887 de 21/set/1995 - promovida por Celina Valentino -que proíbe o emprego de veículos de tração animal, de carga ou montados no Município de São Paulo. Ambas são baseadas no Decreto Federal nº 24.645.
Sociedade, carroceiros e animais
Não dá mais para fingirmos que as inúmeras carroças existentes na cidade nada significam. Carroceiros excedem-se em abusos e infrações. Muitos são mestres em atrocidades para com os animais, impondo-lhes um calvário de dores e privações de direitos.
Considerando-se as exceções, os bichos trabalham o dia todo sob pressão e chibatadas, sem comer, beber ou descansar, e, não raras vezes, são alugados para trabalharem também no período noturno. Os apetrechos - que os prendem covardemente à carroça - causam-lhes ferimentos e desconforto, além de ficarem expostos às intempéries, como sol forte ou chuva e frio. Alijados de suas condições naturais de vida, à noite, solitários, são presos em cubículos ou amarrados em arbustos, quando não saem a vagar procurando por comida. Cavalos doentes, éguas prenhes e burricos vêm da periferia, de lugares longínquos, e percorrem dezenas de quilômetros todos os dias. São agredidos, tratados com despreparo e negligência. Resultando: animais apáticos, tristes, desnutridos e subjugados. Deles tudo é tirado, desde a cria até a liberdade.
E os carroceiros? Estão no limite da pobreza, moram em buracos, vivem à margem da sociedade, em condições insalubres e aviltantes, têm um histórico de despreparo educacional, de doenças, de violência. Agredidos por um desumano sistema econômico, esses excluídos brutalizam também a família, além dos animais. Só demagogos, oportunistas ou omissos podem defender uma profissão que não eleva a pessoa à condição de cidadão. Carroças na rua evidenciam o nosso fracasso social. Conhecemos indivíduos, e seus inúmeros filhos, que são carroceiros há décadas e continuam vivendo na mesma situação de subemprego e miséria. Como podem, então, se mal têm para si, cuidar de um animal de grande porte? Como é que fica a situação desse ser que é tutelado pelo Estado e tem direitos garantidos por lei? Então o bicho, que nenhum mal cometeu, tem que trabalhar para nós como escravo e arcar com o ônus da nossa desequilibrada e injusta organização social. Os animais, ao contrário do que se apregoa, não nasceram para nos servir, cada espécie tem sua própria e inerente razão de ser,e já está mais do que na hora da superação desse cômodo e imoral especismo, termo usado por Peter Singer e outros filósofos e juristas contemporâneos para se referirem ao preconceito contra os seres não-humanos.
Ainda infringem o Estatuto da Criança e do Adolescente e as leis de trânsito ao colocarem menores trabalhando, conduzindo carroças pela cidade. A omissão dos poderes e órgãos responsáveis só serve para dar respaldo a ilegalidade e maus tratos. Ser indiferente e cruel para com os animais acostuma o nosso olhar e resvala na indiferença e crueldade para com os homens. A exploração não atinge apenas o cavalo usado para tração, mas também o carroceiro (cujo papel está sendo assumido, cada vez mais, por mulheres e crianças), pois dele passam longe os mais elementares direitos trabalhistas. Mais lógico seria cadastrar e organizar esses catadores informais em associações ou cooperativas, em usinas de processamento de lixo, com veículos motorizados, remuneração, direitos assegurados e formação educacional profissionalizante. Enfim, eliminar, limitar ou regulamentar atividades que atentem contra a dignidade dos homens e das outras espécies é uma conduta generosa e dever de sociedades ditas civilizadas.
As autoras, Sônia Marques Joaquim e Vânia Rall Daró, são, respectivamente, professora aposentada da Unesp-Bauru e advogada e tradutora pública.
Informações Úteis:
- Conheça o trabalho em prol dos cavalos:
Ons Chicote Nunca Mais http://www.chicotenuncamais.org/
Santuário das Fadas http://santuariodasfadas.org/
- Telefones:
DEMA (21)
Ministério Público (21)
Comlurb (21) 3890-4977 (recolhe entulhos gratuitamente (galhos, tijolos, etc). É só ligar e solicitar o serviço dando o endereço.
Assista:
Vida de Cavalo - Instituto Nina Rosa (documentário)
Corcel, Espírito Indomável (animação infantil)
Notícias Relacionadas:
- Motorista morre ao atropelar cavalo na av. Brasil - 20-08/2008
- Leilão: cavalos podem ser retirados - 28/08/2008
Fontes:
http://www.bastaclicar.com.br/noticias/noticia_mostra.asp?id=8613
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=794461&tit=Cavalos-sao-mortos-de-forma-misteriosa
http://carrocastemsolucao.blogspot.com
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Comentários (8)
RSS feed CommentsEscravidão de cavalos
Morro em Olaria-Rio de Janeiro, e assisto todos os dias cenas deprimentes de violência gratuita dos carroçeiros que recolhem todo tipo de matérial pesado obrigando os pobres cavalos a levarem varias vezes ao dia. Eles espancam, humilham e maltratam os cavalos. Tenho muita pena deles, pois esses carroçeiros moram na favela, o lugar é alto então eles sobem e descem varias vezes. Estão subnutridos, doentes e alguns deles esqueléticos. Já presenciei uma surra que um carroçeiro deu em um deles pq o cavalo não conseguia levar todo o peso. O 16 Batalhão de Policia Militar fica próximo, e nem isso oprime esses insensíveis e desumanos. Já liguei pra varios locais de resgate e nada foi feito. São cavalos vivendo uma vida de infelicidade, espancamento e morte. Até os porcos sofrem tambem. Enfim, fica aqui meu apelo, que espero, não seja em vão.
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em 10 de maio de 2012 | 17:16:06
Abaixo assinado nesse caso ajuda?
Que medidas devemos tomar? Abaixo assinado ajuda ou fica por isso mesmo? Como devemos agir??
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em 05 de maio de 2012 | 23:38:10
Defesa dos animais
Acho que tem que ser feito mais campanhas a favor dos animais.Voces estão de parabens dando esse passo.Moro em Acari RN .aqui a mortalidade de animais domésticos é grande.Eles matam e saem rindo como se nada tivesse acontecido.Existe um tal de MIL GATO que mata o pobre animal em 10 a 20 minutos.Cães e gatos são mortos dentro das nossas residências.Quando não colocam nas ruas jogam dentro do muro das nossas residências.Um absurdo.Quanto a Exploração de equinos acho que deveria ser o contrário o Equino chicoteando o próprio dono aí sim ele ia ver o que era bom.Rs Rs.Sou contra a violência animal faço campanha no facebook todos os dias.
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em 15 de março de 2012 | 10:45:49
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itaipu
Belíssima atitude de Itaipu Binacional com a confecção dos carrinhos elétricos. Precisamos achar uma forma de fazer virar lei o uso dos mesmos no país todo. Como também aumentar a pena para maus tratos aos animais. Legisladores precisam trabalhar melhor.
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em 09 de março de 2012 | 06:49:08
carroças
Deveria existir punições severas para aqueles que usam carroça. De multa a reclusão, pois é muita crueldade com os animais!
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em 29 de fevereiro de 2012 | 10:48:25
...
Os comentários da campanha estão mto bem colocados, resido no Rio de Janeiro(bairro piedade. Onde alimento uma égua que vinha tds dias no meu portão, um dia apareceu machucada e começei a cuidar, foi qdo os carroceiros vieram apanha~la e falaram que sabiam que eu estava cuidando dela. Reclamei que eles soltam os animais p/comerem lixo e ñ cuidam, palavras vazias p/eles.Os carroceiros são pessoa ligadas a marginais e por isso perigosos. Acho que p/ as campanhas ganharem força de verdade, teríamos que tds unirmos forças como um abaixo assinado a nivel nacional para a presidenta do nosso país para acabar de vez com o sofrimento dos animais que esta visivel aos olhos de tds inclusive aos dela!
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em 25 de fevereiro de 2012 | 16:03:30
...
resido no Rio de janeiro(bairro piedade), existe alguma lei contra carroças? se existe a defesa dos animais, pq a propria policia ñ prende esses carroceiros? vejo mtas pessoas que como eu sofrem por ñ terem como ajudar de verdade! Quase todos os dias alimento uma égua que arrebenta a corda e vem p/meu portão, a pouco apareceu td machucada e qdo comecei a cuidar dos ferimentos eles descobriram e a amarraram e a levaram de novo p/o sofrimento e falaram que sabiam que ela vinha p/ca tds os dias, quem conhece sabe que carroceiro ñ presta e na maior parte é ligada aos marginais.O governo tinha que realmente apoiar as campanhas, para acabar com as carroças de vez, pq elas são um crime declarado concretizado aos olhos de tds.A minha sugestão seria tds juntarmos forças como um abaixo assinado a nivel NACIONAL, passando nesse momento por cima de tds e indo direto p/a presidenta do nosso país.
,
em 25 de fevereiro de 2012 | 15:52:21
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Última atualização ( 24 de Abril de 2012)
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