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Por que resgatar uma gata grávida me fez ser ainda mais a favor da esterilização

Rio de Janeiro, RJ

 

1- RESGATE: Quando a encontrei na rua, estava faminta e com medo de maus tratos. Uma grávida faminta com medo de receber um chute na barriga. Se para um animal já é horrível estar abandonado na rua, acrescente a isso estar gestante. Se ao menos tivesse sido esterilizada...

 

charlo


2- GRAVIDEZ: A barriga foi crescendo tanto e ela ficando tão pesada. Andava mais lentamente pela casa e dormia muito. Aliás, alguns dias de chuva a via dormindo no endredom com aquele barrigão e ficava imaginando se ela estivesse na chuva, na rua... E como conseguiria pular muros, fugir de cães e pessoas tão pesada? Como alguém prefere deixar o animal procriar, que acolher um da rua?

 

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3- PARTO: No dia 31 de maio de 2015 ela começou a ficar agitada. Começou a miar muito atrás de nós. Achávamos que era pedindo aquela outra comidinha mais gostosa que a ração seca, e que fica guardada na geladeira. Mas o miado continuava. Quando se deitou, vimos que estava molhada. "A bolsa!" Estava entrando em trabalho de parto? Será que estava tendo problemas para parir? Fomos até o quarto, de onde ela vinha, e numa caixa de papelão onde guardávamos papéis embaixo da cama, lá estava o primeiro filhote, pretinho e molhado. Ela entrou na caixa, começou a lambê-lo e se acalmou.

 

Ela nos queria por perto. Assim ela se sentia mais segura. Talvez por ter um outro gato adulto na casa, que chegou antes dela. Cada bebê demorou aproximadamente 40 minutos para nascer, e durante todo esse tempo não podíamos sair do quarto. Se um de nós saísse, ela saía atrás miando até voltarmos. Era um momento extremamente vulnerável. Ela precisava de toda segurança, conforto e confiança possível. Fiquei imaginando se ela estivesse nesse momento na rua, como seria? E se fosse em um abrigo lotado com mais dezenas ou centenas de animais no mesmo ambiente, sem chance de esconderijo, apenas stress e ameaças? Uma mistura de alívio, aflição e angústia pensar que ela está bem, mas que foi por pouco, e que muitas outras não tem essa sorte em meio ao monstruoso número de 30 milhões de animais abandonados só no Brasil. Se ao menos as pessoas castrassem.

 

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4- BEBÊS: Fiquei com muito receito de algum nascer com problemas de formação ou até morto devido a algo que ela possa ter passado na rua, e até às restrições alimentares nesse período. Mas todos nasceram vivos, perfeitos e lindos! E tão pequenos, sensíveis e vulneráveis! Já nasceram mamando desesperadamente, como se ao cortar o cordão umbilical, de súbito tenham percebido o vácuo nos minúsculos estômagos. E essa primeira amamentação é realmente muito importante para o sistema imunológico de qualquer mamífero.


Ela saía de perto deles o mínimo possível. Só para ir à caixa de areia e para se alimentar e hidratar. E voltava aos pulinhos quando escutava os guris gritando. Imagine na rua, tendo que procurar sabe se lá onde algo para comer e beber, tendo que os deixar sozinhos?!  E sem nem saber se vai encontrar.


Eles se agitavam e gritavam muito quando ela ficava ausente. Era como se ficassem sem chão, sem mundo ou si próprio. A mãe é absolutamente tudo pra eles nos primeiros 45 dias. Aliás, realmente, no primeiro mês os filhotes dependem não só da alimentação vinda do leite materno, mas é a mãe que estimula e limpa as necessidades fisiológicas deles (sem essa estimulação, acho que não fazem, e imagine o mal absurdo se não fizerem!), e a mãe que transmite calor porque eles ainda não mantém a temperatura com o próprio corpo e poderiam até morrer de hipotermia sem ela (imagine na rua, quando chove, venta e faz frio!). Ela é fundamental! Fiquei imaginando quantos bebês são privados disso ao serem cruelmente retirados da mãe e criminosamente jogados na rua sozinhos para morrerem.

 

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5- MÃE DESGASTADA: Quatro horas da manhã, os dois branquinhos, agora com quase 1 mês de vida, já escalam a caixa e pulam pra fora aos berros. Ela fica desesperada miando como quem pede ajuda: "O que vou fazer com essa criança?!". Estamos, eu e ela, exaustas. Ela está mais magra, apesar de comer muito, e os peitos avermelhados. Os coloco diversas vezes dentro da caixa, apenas para pularem de novo, e a cena se repetir. Depois de uma hora, ela resolve respirar fundo e ficar na caixa para eles mamarem. Eles a devoram como uma cena de The Walking Dead. Será que o leite está acabando e não está sendo suficiente? Com o tempo vão se acalmando e logo estarão dormindo em montinho. Amanhã vou começar a introduzir um reforço na alimentação deles por meio de seringa. Por sorte tinha uma lata de preparado em pó especial para filhotes de gatos que ganhei de uma amiga, o Milk Cat.

 

Depois de 1 mês eles começaram a beliscar sozinhos ração de filhotes. Foram aprendendo observando a mãe, e depois a irmã mais espertinha. A mãe emagreceu muito, e precisamos dar suplemente vitamínico e trocar a ração. Se estivesse na rua ou abrigo...

 

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5- ADOÇÃO E SEPARAÇÃO: Meio Jane Austen, né. Bom, a Charlote foi resgatada da rua já grávida. Não foi algo intencional e planejado (se fosse, o mínimo que a pessoa tem que fazer é se responsabilizar em ficar com todos os filhotes). Cada um deles precisará ser encaminhado para um adotante responsável e amoroso, porque além de eu já ter vários outros animais, sei que outros mais irão aparecer no meu caminho precisando de ajuda, e pretendo não estar com a casa lotada para poder ajudá-los. O plano não é acumular animais, mas salvá-los.

 

Mas, nossa! Como é dilacerante separar uma família! Como alguém consegue descaradante deixar o próprio animal procriar, para depois simplesmente sair doando os filhos dela? E quando fazem isso para vender os bebês, então?! É asqueroso!!! O meu coração já dói de ter que tirar cada um do convívio com seus irmãos e mãe, rasgando um laço tão grande que eles tem entre si; além do amor e proteção materna dela; para encaminhar para um lugar que por mais que eu analise, selecione e oriente, é um ambiente totalmente diferente, com cheiros e pessoas até então desconhecidas. É uma ruptura muito grande e o animal sente muito isso até se adaptar e se acostumar. Mas nesse caso de resgate, é um mal necessário, pois foram tirados de uma situação de risco. Triste é pensar que tem gente que não evita isso por meio do controle de natalidade (esterilização). Inconcebível.

 

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25 de junho de 2015 7

 

Por isso, eles só serão adotados quando já estiverem devidamente castrados! Como as pessoas preferem adotar animais ainda filhotinhos, iremos levá-los a uma ótima veterinária que faz castração pediátrica. Assim, quando completarem 2 meses, já desmamados (final de julho), serão castrados e poderão ir para seus novos lares saudáveis e seguros, livres do ciclo de procriação, superpopulação, abandono e maus tratos. Nós conseguiremos custear todas essas cirurgias graças a generosidade e iniciativa dos que estão colaborando na campanha "Excursão pra Castração"! Se interessou e quer ser um candidato a adotante? Nos envie um e-mail para  This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

 

excursão castração 

 

Se você quer cuidar de filhotes, não deixe o animal procriar, há muitos filhotes precisando, e que se não tiver ajuda, irão sofrer muito até morrer. Entre em contato com as protetores e ongs da sua cidade e se coloque seriamente a disposição para ser Lar Temporário dos filhotes resgatados. Veja alguns exemplos de mãezinhas e filhotes que precisam de Lar Temporário até que sejam adotados.

 

Acompanhe mais fotos do crescimento dos filhotes e as conquistas deles pela página da ULA no facebook e no instagram do Vegetariando Por Aí.

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