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Caça Esportiva


Usar animais para entretenimento é resquício de uma época de bárbaros.
Não há mais lugar para tal tipo de “diversão”.


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Caça Esportiva
Caçar por esporte é matar por futilidade, é destruir famílias de animais, quebrar cadeias ecológicas, provocar sofrimento e dor, e ganhar dinheiro com isso. Só o homem mata por prazer. Enfrentar aves e mamíferos com armas de fogo não é caçada, é covardia. Alguém que se diverte matando animais não pode ter desculpa para isso. Mas caçadores costumam justificar seu divertimento invocando as causas mais nobres.
 

caca

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Os covardes que se acham corajosos e machões diante do infeliz ser não teve a chance de se defender.

As desculpas dos caçadores:

Esporte:
Uma das desculpas é classificar caçadas como “esporte”. Esportes, por definição visam o aperfeiçoamento físico e mental de quem o pratica. Correr (a pé!) é esporte. Jogar futebol ou basquete, nadar, escalar uma montanha, tudo isso é esporte.

Atirar num animal é esporte? O ato de atirar, em si, talvez seja. Fazer a mira, concentrar, treinar o cérebro para atingir o ponto desejado faz parte dos Jogos Olímpicos. Mas o esportista pode muito bem mirar num alvo de papel ou numa lata vazia. Atirar num animal indefeso, que tipo de benefício físico/mental acrescenta ao “esportista”? Aliás, nenhum animal é consultado se aceita participar desse “esporte”.

Tradição:
Outra das desculpas usadas pelos defensores da caça: eles estariam defendendo uma “tradição”. Ora, queimar suspeitos de bruxarias em fogueiras também já foi uma tradição, felizmente banida. Uma grande polêmica aconteceu no Reino Unido nos últimos meses. A tradicional - e sádica - caça à raposa, que serve de diversão a nobres e ricos foi finalmente proibida na Escócia, não sem antes enfrentar a fúria dos seus partidários.

“É uma tradição!” Por trás da tradição, como sempre, gente que lucra com a morte da raposa: criadores de cães e cavalos, vendedores de equipamentos, criados e auxiliares, a indústria de armas.

Equilíbrio Ecológico / Conservação das Espécies:
O mais cínico argumento a favor da caça é o que diz que ajuda no “equilíbrio ecológico”. A caça poderia diminuir populações excedentes num ecossistema.  Javalis demais? Soltem os caçadores. Isso sempre foi trabalho realizado pelas leis naturais, e não por homens com rifles nas costas. O número de animais é equilibrado pela própria natureza, não existe necessidade de caçadores.  

Este argumento “ecológico” lembra um fato real acontecido na China, em plena ditadura comunista de Mao Tse-tung, na década de 1950. Uma das províncias agrícolas chinesas enfrentava problemas com o excesso de pardais, que atrapalhavam as colheitas ao comerem as sementes plantadas. Ao saber do fato, o “sábio” ditador deu ordens para que a população matasse todo e qualquer pardal que encontrasse pela frente.
Foi um grande massacre em nome da “caça ecológica”.

Resultado: sem os pássaros, seus predadores naturais, os gafanhotos se sentiram à vontade para arrasar com as plantações da província inteira, gerando um longo período de fome e miséria.

Pretextos:
A atual geração de “caçadores ecologistas” não é tão estúpida quanto o camarada Mao, mas suas desculpas são pretextos bobos para quem se diverte derramando sangue. E não disfarçam o interesse comercial em seus “ideais”. Javalis estão destruindo plantações e precisam ser caçados e “sua carne é uma delícia”. A caça vai salvar a fauna brasileira - e fazendas liberadas para caça (no Rio Grande do Sul) costumam dobrar seu valor.

Absurdo! Massacre anual às baleias é diversão pra toda a família:
Esse espetáculo sanguinolento e totalmente sádico, acontece nas Ilhas Feroe ou, Ilhas das Ovelhas, na  “desenvolvida” Dinamarca, todos os anos, e inclui encurralar centenas de baleias à beira d´água, para depois ter o prazer de exterminá-las a golpes de facas! Crianças costumam ser dispensadas das escolas nesse dia, para acompanhar o “divertimento”, que funciona como uma espécie de ritual de passagem dos rapazes à idade adulta. 

Uma petição para acabar com a prática foi formulada e circula pela Internet. Segundo o documento, essa caça esportiva foi abandonada em todo o mundo e hoje é proibida. Ele afirma também que os habitantes da ilha sequer aproveitam a carne das baleias que é contaminada com metais pesados.

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O mar de sangue inocente derramado por puro prazer e sadismo do ser humano.
Nada justifica essa barbárie.

Em julho de 2000, a organização Sea Shepherd, que dedica-se à proteger as formas de vida marinhas, velejou até as Ilhas Feroe para intervir na matança anual de baleias pilotos. Conseguiu que o massacre fosse levado às primeiras páginas da mídia européia e, melhor que isso, passou a fazer pressão econômica sobre as companhias que ainda compravam alimentos do mar com origem nas Feroe, o que representa 90% da economia local, com predominância das compras feitas pelo gigante holandês Unilever.

“Acima de 20 mil pontos de venda a varejo europeus cancelaram os seus contratos de pesca a pedido da Sea Shepherd”, informa o portal da entidade.

A luta está, porém, longe de um final feliz. “Na Noruega isso acontece também; é um problema cultural”, afirmou Cristiano Pacheco, coordenador jurídico da Sea Shepherd no Brasil. “É um espetáculo de horrores, eles abrem o pescoço dos animais de fora a fora e os deixam agonizando na beira da praia, onde as pessoas ficam aplaudindo”, completa o advogado, para quem é “inacreditável” que aconteça algo assim no mundo em pleno Século XXI.

Entrevista: Confissões de um ex-caçador da Slovênia
Fonte: Revista Animal Liberation, Junho 2006

Por 37 anos ele foi membro de uma família de caçadores, na Slovênia, por 22 anos, membro do Conselho Administrativo de Caça, e por 12, presidente do conselho e da Comissão de Rifles. Neste período matou uma grande quantidade de animais, porém, há quarto anos, desistiu da caça para sempre. Rudi Ameršek, da Slovênia, afirma hoje em dia, que é um assassino convertido - na sua opinião, a matança de animais é crime.
Por não gastar mais seu tempo mirando sua arma, ele hoje tem mais tempo disponível para a família e seu hobby.Na Slovênia ele é conhecido pelas esculturas exclusivas que faz à mão, a partir de plantas trepadeiras.

Quais as lembranças você tem dos seus primeiros anos como membro de uma família de caçadores?
Para tornar-me um caçador, tive que preencher alguns requisitos. Naquela época, o Presidente da comissão de Caçadores me disse: Se você quer se tornar um caçador, deve ter um cão de caça! Então ele me vendeu o mais novo da sua matilha, e eu tive que matar meu vira-lata com gás venenoso. Utilizamos ampolas de gás venenoso muitas vezes. Normalmente jogamos essas ampolas na terra e quando uma raposa mastiga ou ingere a ampola, em pouco tempo está morta. A pele de raposa era muito valiosa naquele tempo, e às vezes eu permanecia de tocaia na floresta, esperando minha presa, noite adentro. Hoje, sinto-me envergonhado por ter caçado animais no passado.

O que aconteceu para fazê-lo deixar caçar animais?
Meus filhos de meu segundo casamento, e minha mulher, Slavka, têm-me dito por anos que matar animais não é ético. Finalmente eles chegaram a proibir que eu levasse os animais abatidos para casa. Isso foi um choque para mim. Todo caçador tem orgulho de sua presa, e querem exibí-la. Comigo não era diferente. Como eu não podia mais levar meus troféus de caça para casa, minha paixão pela caça foi decaindo. Com o tempo, compreendi que caçar é somente a paixão por matar animais. As mulheres da minha família abriram meu coração para os animais, e hoje me considero um assassino convertido.

Muitos caçadores alegam que são amigos dos animais. Caçadores e amor pelos animais? Isso é ridículo! Caçadores amam animais apenas quando os devoram. Caçadores que vão para as florestas apenas para alimentar os animais, desarmados, são raríssimos. Citando um comentário de um caçador, fica muito claro: um caçador sem sua arma é como um noivo sem pênis na noite de seu casamento!!

Caçadores alegam que caçam animais para impedir o seu aumento desproporcional na natureza.
A Natureza não precisa de caçadores. Está cientificamente provado que há certos mecanismos que mantém o equilíbrio na Natureza, portanto, a intervenção humana não é necessária. Se existe um numero muito grande de animais para determinada área, o número de nascimentos cai, ou alguma doença cuida de eliminar os membros menos resistentes da espécie. Existe outro aspecto que deve ser explorado a respeito de números de animais: famílias de caçadores constantemente reportem um número superior em sua área de caça do que o real, para que Associação de Caça Slovena possa autorizar que um maior número de animais seja abatido. Eu posso confirmar que isso vem acontecendo

Qual a motivação inicial de um caçador?
Apenas paixão pela matança e egoísmo. Sabe sobre o que os caçadores falam a maior parte do tempo? Como matar o animal, quais troféus têm, qual é melhor, quem tem a melhor arma, qual arma causa maior estrago na presa, qual tem melhor penetração. Alguns caçadores vibram de excitação e paixão quando vêem um movimento através das árvores. Toda essa excitação pode levar a acidentes. No último ano, tivemos dois acidentes durante caçadas a javalis, quando caçadores atiraram uns nos outros. Conheço caçadores que negligenciam suas famílias e suas fazendas por que preferem sair à caça e depois se encontrarem com outros nos bares. Algumas vezes eles começam brigas, por causa de discussões sobre quem conseguiu abater o melhor animal - a polícia tem que intervir. Vou contar uma estória que ilustra bem a paixão pela caça: Há alguns anos, um membro da nossa comunidade de caça caiu doente. Eu sugeri visitá-lo no Domingo, ao invés de ir caçar. A maioria do nosso grupo preferiu ir caçar a visitá-lo, apenas três de nós fomos visitá-lo. Alguns até ressentiram-se de mim, por querer privá-los do prazer da caça (matar os animais) .

E os troféus?
Tudo gira em torno de quem tem o melhor troféu. Assim como outros homens amam carrões ou mulheres. Alguns caçadores buscam matar os mais belos exemplares de cervos, a despeito do fato de ser, às vezes, proibido. Eles acham que vale a pena correr o risco de perder suas licenças de caça por dois anos, para matar um animal, que dará um belo e invejável troféu.

Ouvi que alguns caçadores visitam escolas e fazem palestras para estudantes. Sobre o que eles falam?
Sim, é verdade. A administração das escolas convidam-nos para estas palestras. Há alguns anos, um caçador até visitou um jardim da infância, e não foi claro com as crianças sobre caçadas serem matanças de animais. Ele veio com contos de fadas de que caçadores são bons para os animais, cuidam deles e o quanto os animais precisam dos caçadores

Alguns fazendeiros reclamam de animais atacando suas lavouras.
Não, não recebemos tantas reclamações assim. As pessoas reclamam mais dos caçadores atirando em seus cães e gatos. Os caçadores atiram até nos patos criados nas próprias fazendas. Animais domésticos tornam-se vítimas quando os caçadores não encontram presas nas florestas.

Qual o seu conselho para os outros caçadores?
Eu os aconselharia a adotarem um hobby ou esporte mais ético. Eles deveriam vender suas armas, e comprar bicicletas ao invés de armas. Armas significam matar e matar é crime. Pescar também é crime. Numa caçada, normalmente o animal morre imediatamente, mas na pesca, o animal agoniza por alguns minutos. Os animais querem viver em harmonia com o homem na Natureza. Na minha opinião, outra agravante é que o ser humano interfere com a Natureza mais do que deveria, e está diminuindo enormemente o espaço para os animais viverem em liberdade. .

Quais as lembranças que sua mulher, Slvka, tem deste amargo período em que você ainda era um caçador?
“Às vezes, ele ficava fora o fim-de-semana inteiro, caçando. A caçada terminava às duas da tarde, mas ele ia com os outros caçadores ao bar, onde eles ficavam até tarde, bebendo. Às vezes, eu voltava para casa às 10 da noite, e ele ainda estava fora. Eu detestava quando ele chegava em casa bêbado. Os caçadores têm um ditado: um verdadeiro caçador volta para casa na Segunda-feira, se a caçada é no Domingo. Em alguns casos, o álcool leva à violência no lar. Há 15 anos, Rudi me presenteou com uma pele de raposa que ele mesmo caçara e curtira. Minha filha me disse que se eu usasse a pele para buscá-la na escola, ela fingiria não me conhecer. Também sou contra vestir peles de animais, e então Rudi teve que vender a pele da raposa. Também discordo da pesca, pois faz os peixes sofrerem ainda mais. Eu tampouco entendo a pesca esportiva, onde o pescador fisga o peixe para depois retorná-lo para a água. Tenho certeza que nenhum peixe aprecia ter um anzol transpassado pela sua boca. Lembro-me de uma adolescente, certa vez, no Jardim Botânico, que desmaiou ao ver o estado de um peixe fisgado por um pescador.


Mais sobre caça esportiva:
http://www.arcabrasil.org.br/acoes/caca.htm
http://www.svbpoa.org/index.php?Itemid=31&id=69&option=com_content&task=view

Fontes:
Instituto Nina Rosa

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