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Zoológicos
Não há mais lugar para tal tipo de "diversão".
Qual é o papel dos zoológicos nos dias de hoje? Quando foi criado o primeiro zoológico em Londres, em 1847 - no auge da expansão colonialista - surgiu a idéia do "museu vivo de animais", uma "coleção de bichos". Pouco mudou, desde então.Se atualmente, com o auxílio dos meios de comunicação, as pessoas podem observar animais silvestres em seu próprio habitat, não interferindo no ambiente dos mesmos e no seu bem-estar, qual a justificativa ética para apreendê-los e confiná-los em jaulas com o intuito de entreter o ser humano?
Os zoológicos alegam ter um importante papel educativo e de conservação das espécies ameaçadas. Mas qual é o valor educacional de observar animais aprisionados, que apresentam comportamento neurótico, resultado das situações de cativeiro?
A vida em cativeiro leva a comportamentos anormais, e, muitas vezes, autodestrutivos; são as Zoocoses (do inglês zoochosis - comportamento psicótico observado em animais - veja o quadro abaixo) Seguramente, esse não é o modelo de educação ambiental para o século XXI.
Ao mesmo tempo, os programas de procriação e reintrodução de animais no ambiente - sob alegação de preservar espécies da extinção - exigem um grande investimento para resultados pontuais. Grupos organizados questionam se esses recursos não seriam melhor aplicados, por exemplo, na preservação do habitat dessas espécies.


No Zoológico de Colombo, capital do Sri Lanka, elefantes fazem apresentações diárias para os visitantes. No "espetáculo" os animais dançam, sobem obstáculos, tocam instrumentos e até plantam bananeiras. Perda total de sua dignidade.
Veja alguns exemplos de comportamentos anormais, causados pelo estresse em cativeiro.
ZOOCOSES
- vomitar e comer o próprio vômito
- comer fezes
- andar em círculos
- movimentar o corpo repetidamente para trás e para frente
- balançar a cabeça para cima e para baixo
- virar o pescoço de forma exagerada
- morder e lamber as barras da jaula ou outros locais
- auto-mutilação, como mastigar o próprio rabo, morder a perna, etc.
Deve-se levar em consideração que esses animais, muitas vezes, são oriundos de locais com clima, vegetação e alimentação distintas do zoológico onde estão confinados. É uma violação à natureza do animal.

Ninguém terá uma vida menos plena por não ter ficado cara a cara com um tubarão branco
ou um ornitorrinco, ou sentido o cheiro do cocô de um macaco prego.
Em seu habitat natural o espaço disponível para aves, por exemplo, não pode ser comparado a um recinto fechado, independente de seu tamanho.
Sabe-se que o cativeiro é um fator limitante, e leva muitos animais a terem um comportamento diferenciado, até neurótico, sendo considerado um comportamento anormal, já que os locais onde permanecem confinados não proporcionam a eles as mesmas condições que seu habitat natural, interferindo no seu bem-estar. Ainda há o agravante da rotina de ser exposto aos visitantes barulhentos do zoológico durante todo o dia.

"O animal selvagem e cruel não é aquele que está atrás das grades.
É o que está na frente delas." - Axel Munthe
Um zoológico reduz a selva, a savana, enfim a natureza , a alguns metros quadrados de crueldade consentida e programada. Se na natureza um predador caça um animal, o faz no habitat natural de ambos, onde o animal caçado tem até chance de não o ser.
Sabemos que a natureza se constitui de ciclos contínuos de destruição e regeneração. mas não cabe ao animal humano chamar a si a autoria desses ciclos, desfigurando-os em seus objetivos. No zoológico , infelizes pequenos animais são estocados e jogados nas jaulas , vivos, para alimentar outros, maiores, mas tão infelizes quanto eles.
De que adianta ir a um zoológico e ver um monte de animais enjaulados, a maioria em construções impróprias, com dormitórios escondidos em que o público não tem acesso a fim de se evitar a fiscalização do cidadão, com animais estressados, graves problemas de comportamento, movimentos repetitivos, olhar perdido no espaço e praticamente não demonstrando que existem.

"Não podemos ver a beleza essencial de um animal enjaulado,
apenas a sombra de sua beleza perdida." - Julia Allen Field
Nos zoológicos assistimos ao intenso sofrimento de animais que chegam a viver mais de 30 anos em condições imundas, espaços minúsculos, privados da sua liberdade e expostos a uma sobrevivência rotineira.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os zôos não desempenham nenhum papel na conservação das espécies. O local adequado para os programas de conservação devem ser as regiões a que os animais pertencem naturalmente e não a milhares de quilômetros de distância, longe da selva, da floresta, do deserto, das montanhas, dos oceanos, num ambiente e clima completamente diferentes.
Os zôos devem continuar servindo de abrigo para animais selvagens apreendidos por tráfico ilícito ou maus-tratos. Entretanto, não há fundamentos para justificar os zôos como local de entretenimento, o que nos leva a uma reflexão sobre a real necessidade de observação de animais selvagens em cativeiro para divertimento/lucro humano.

Declaração Universal dos Direitos Animais:
Artigo 4º
1.Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
2.Toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.

Rebatendo os argumentos de quem defende o zoológico:
- “O Zoológico é importante porque nós devemos conhecer as espécies para preservar/respeitar".
Essa concepção traz embutida a desculpa de que só é possível preservar uma espécie a partir do momento em que a conhecemos. Se a concepção biocêntrica predomina, o simples fato de o animal existir já é um pressuposto que justificaria o respeito por ele. E só. Eu não conheço nenhum africano, por exemplo, mas não preciso fazê-lo para só depois respeitá-lo. Nunca conheci um urso-polar, um tigre de bengala, uma perereca amazônica ou uma orca. Mas o fato de não vê-los ao vivo não me impede de respeitá-los pela sua essência.
- “O Zoológico é imprescindível para estudarmos o comportamento dos animais”.
Só se for para estudar neuroses de cativeiro. Qualquer pessoa com noções básicas de biologia sabe que o comportamento de animais em cativeiro não é o mesmo que o animal apresentaria no seu meio natural. Tenho muito respeito por estudos comportamentais. Mas por aqueles que são feitos no habitat natural do animal. Esse argumento não sustenta a existência desse tipo de zoológico.
- “O Zoológico é importante para a reprodução e para salvar as espécies”.
Primeiro: a maioria dos animais reproduzidos em cativeiro é reproduzida para esse fim: permanecer em cativeiro. Não para ter devolvido o que lhe foi negado desde as gerações anteriores: sua liberdade. Há, entre os zoológicos, uma espécie de escambo de espécies, onde os animais são intercambiados. Faltou uma girafa no zoológico “x”? Já está nascendo uma no Zoológico “y”. Será separada de sua mãe e destinada ao zoológico “x” como animal de exposição. Segundo: privado da convivência com seus iguais e de todas as interações que lhe são possíveis em seu meio natural, ele não é mais do que a sombra dos seus ancestrais.
- “Mas os animais que nasceram no zoo não sofrem porque não conhecem outra vida”.
Será que o fato de esse animal ter nascido em cativeiro nos dá o direito de usurpar sua liberdade mais uma vez e condená-lo a uma vida miserável, privando-o da sua verdadeira liberdade?
Se houver uma “visita ao zoológico”, com propósitos educativos, que sejam feitas pelo menos as seguintes perguntas e investigações com os alunos: qual o habitat natural desses animais? Quais os hábitos desses animais em seu meio natural? Geralmente são: nadar, correr, voar quilômetros por dia, procurar comida, defender seu território, interagir com outras espécies e com seus iguais. E em cativeiro? Quais as mudanças percebidas? Quais os impactos nefastos nos seus hábitos? Quais as consequências? Um pequeníssimo exemplo, entre tantos que presenciei: um leão-marinho em seu habitat natural viaja centenas de quilômetros por dia. Em cativeiro, é condenado a viver em um pequeno tanque, onde passa o dia circunscrevendo voltas como que para escapar da escravidão sem fim. Sem falar na obesidade e outros transtornos de comportamento como as já mencionadas neuroses de cativeiro. Isso nos reporta à falácia seguinte:
- “Aqui no zoológico fazemos o enriquecimento ambiental”.
Esse novo modismo nos zoos (proveniente de um modelo americano) traz em sua proposta a introdução de diferentes estímulos no cativeiro para que animais não desenvolvam comportamentos repetitivos e neuróticos como automutilação, coprofagia etc. Certamente, estímulos são melhores que a estagnação a que esses animais são condenados. Mas deve-se sempre questionar: a reabilitação e a devolução da liberdade que lhes foi negada não seria infinitamente melhor? O tão prestigiado enriquecimento ambiental não seria mais um engodo para justificar a perpetuação do cativeiro e de interesses escusos?
- “Hoje não existem mais jaulas nos zoológicos”.
Ouvi diversas vezes essa frase dos monitores que nos acompanharam. Em vários lugares. Basta uma breve visita para, novamente, a perplexidade ao comparar o dito e o constatado ser inevitável. O ápice do menosprezo à inteligência dos presentes. Percebe-se, claramente a existência de cercados mínimos de aço, alumínio, terrários, aquários e paredes de vidro fazendo as vezes de jaulas. Mas pergunto: não seria infinitamente melhor que jaulas, aquários, terrários e afins estejam para sempre, vazios?
- “A alimentação é balanceada”.
Isso pode soar muito bem aos ouvidos antropo e ecocêntricos. Mas nos ouvidos biocêntricos e abolicionistas dói. Até fisicamente. Uma frase que ouvi da monitora: “Os zootecnistas que trabalham no zoo e cuidam da alimentação dos animais acham que os psitacídeos silvestres são uns chatos porque são muito exigentes, não comem qualquer coisa”. Ora, o que diriam os psitacídeos se falassem? “Chato” seria um adjetivo no mínimo elegante para qualificar quem os trancafia em um viveiro, obrigando-os a uma “loteria gastronômica”, forçada e diferente de sua alimentação natural.

No fim do dia, você pode ir embora. Para os animais fica a sentença de uma vida
de sofrimento e privação.Continuar a visitar zoológicos, é dizer sim a toda
esta crueldade, e condenar a uma morte lenta e dolorosa seres inocentes.
Prefira passeios que não financiam a exploração animal, que adicione bons valores e cultura, e que não seja em detrimento de outros seres. Não ensine a uma criança que é normal e divertido tirar a dignidade de outro ser para proveito próprio. Ensine o valor de respeitar.
Leve à reunião de pais, alternativas adequadas para os passeios escolares (parques, museus, planetários, sítios, teatros, festivais, exposições, feiras culturais e de ciência, locações históricas, passeios de barco etc.)
Passe vídeos, como os do Discovery Channel e Animal Planet para as crianças conhecerem os animais silvestres. Nesses vídeos os animais são filmados livres em seu habitat natural, com seu bando e rotina natural. Neles sim é visto uma situação real da natureza, e o mais importante, livre de exploração e crueldade.
Indo a áreas de mata preservada você poderá ver livremente macacos, aves, peixes, etc.
- Animais com distúrbios em zoológicos (03/02/2009 - zoológico do Rio de Janeiro)
- Urso com distúrbio do cativeiro (gravado por ULA - Fev. de 2009)
- Primata com distúrbio do cativeiro (gravado por ULA - FEv de 2009)
- Ato educativo CONTRA Zoos (ULA!) (Campanha Santuários Sim! Zoológicos Não! 25-07-10 em frente ao Rio Zôo)
Material Educativo: para baixar, divulgar e conscientizar!
Banner Filipeta

Veja também:
http://www.institutoninarosa.org.br/defesa-animal/exploracao-animal/entretenimento
http://www.lpda.pt/01campanhas/zoos.htm
http://www.captiveanimals.org/zoos/index.htm
http://www.bornfree.org.uk/campaigns/zoo-check/
http://www.veganimal.info/article.php3?id_article=129
http://www.ecosofia.org/2007/02/los_zoologicos_y_sus_mentiras.html
Texto da Nina Rosa: "Zoo-ilógico"
Alguns Santuários:
www.ranchodosgnomos.org.br
www.projetogap.org.br
www.santuariodasfadas.org
Fontes:
- www.arcabrasil.org.br
Agradecimento:
- Marcela Teixeira Godoy – Bióloga e Professora Universitária.
Comentários (2)
RSS feed Commentsnada justifica zoológico em pleno seculo 21. Nada.
Devia ser uma instituição longe de lucro em bilheteria, sem voyerismo e muito menos sem alcunha de lazer familiar. Desde quando ver seres aprisionados é cultura ou entretenimento?
Uma instituição afastada de uma suposta conjectura que ali exista pedagogia, Educação Ambiental ou aprendizado, como tentativa solene de justificar sua existência.
O que se vê é um cenário triste, desproposital no sentido filosófico da existência, humilhante aos animais e em desacordo com o que preconiza uma sociedade planetária.
E as soluções?
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Última atualização ( 05 de Outubro de 2011)
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