Animais Mais Que Especiais
Animais mais que especiais, Tutores mais que especiais.
Um número cada vez maior de tutores de animais domésticos está adquirindo cadeiras de rodas adaptadas para restaurar a mobilidade de amigos peludos cujas patas, quadris ou costas não funcionam mais. O objetivo é simples: recompensar o amor incondicional do bichinho com o que for preciso para que eles tenham uma vida normal.
Com o uso do equipamento, feito sob medida, conseguem se locomover sem dificuldade na rua ou em casa. É uma forma de prolongar a expectativa de vida de animais limitados, segundo especialistas.
Os motivos para perda total ou parcial da locomoção variam, segundo a médica veterinária Elizabete Shimizu. A limitação pode ser antecedida por hérnias de disco, fraturas ou doenças neurológicas, explica. Ela aponta a "humanização" da rotina dos cães como uma origem comum. "O animal tem cada vez mais vida de gente, sedentária. A partir de certa idade, ele jamais deveria saltar e andar por escadas", disse a veterinária, especialista em tratar bichos com dificuldades locomotoras.

Duky, um basset, teve hérnia de disco em 2006, aos 6 anos de idade. Moacir e Carina Cukierman, pai e filha, tutores do cachorro, foram obrigados a enfrentar um dilema: sacrificar o animal ou adaptar a rotina em função do cão deficiente? "Todas as pessoas, quando têm problema com cachorro, o descartam ou sacrificam", disse o advogado Moacir Cukierman, de 68 anos, feliz por ter conseguido manter a companhia do cão. A família optou por submeter o animal a uma cirurgia reparadora, mas Duky perdeu totalmente o movimento das patas traseiras. Só conseguia andar se arrastando, até ganhar uma "cadeira de rodas".
O cachorro passa a precisar de auxílio humano para urinar e defecar, várias vezes ao dia. O bicho também fica predisposto a infecções urinárias, no caso dos cachorros de pequeno porte, e feridas nas saliências ósseas, no caso dos maiores. Tudo causado pelos longos períodos em que passam prostrados ou se arrastando. Com a cadeira esses efeitos são evitados.
"Pra cuidar de animal especial, tem que ter muito amor. Se eu tive um caso ou dois que pediram eutanásia, foi muito. O pessoal quer cuidar", disse a veterinária. Além de ensinar os tutores a estimularem os cachorros deficientes a fazerem suas necessidades, a veterinária Elizabete pede um acompanhamento assíduo da adaptação à "cadeira de rodas". "Um animal muito velhinho às vezes não consegue andar de cadeirinha."
Mesmo com a exigência de uma série de cuidados especiais, a procura pelos aparelhos só aumenta, segundo a veterinária, que também produz "cadeiras de rodas" para clientes. "A cada ano, a procura aumenta 20%". O preço do produto no mercado pode custar até R$ 400. O lado bom é que o peso no bolso dos tutores alivia a rotina limitada dos mascotes.
"O cães não entendem o que está acontecendo, mas eles aceitam rápido: 'oh, é assim que eu sou agora'. Então quando colocamos eles nos carrinhos, eles pensam: 'oh, agora voltei ao normal. Posso ir onde quero", diz Leslie Grinnel, dona da "Eddie's Wheel", que envia carrinhos para todo o mundo desde 1998.
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